amores expresos, blog do ANTÔNIO

Wednesday, May 2, 2007

AI, DESCULPA, ESCAPOU

E eu aqui, que, segundo a Veja, tenho que voltar dessa viagem “apenas com uma história de amor na bagagem”, começo a ficar preocupado. Como vou ambientar minhas ordinárias experiências neste solo de polainas luminosas, torres de 400 metros, revolução comunista, bronzes de 3 mil anos, revolução capitalista, Confúcio, concubinas, ópio e I-pod?
Quanto mais olho a cidade, leio sobre sua história e fico de queixo caído com tudo isso, mais vasculho meu baú interno em busca de um enredo e penso: xiii, não bate. Acontece que tudo me é tão estranho e distante que escrever uma história de amor que se passe em Xangai parece algo como cultivar marias sem vergonha no deserto, plantar bananeira no teatro municipal, fazer um tostex na sala de aula.
Ao contrário do que acham muitas das pessoas que desceram a lenha no projeto, escrever um romance não é como soltar um pum. Você não acorda de manhã e diz, opa, olha o que eu achei aqui na minha cabeça, um romance! Não dá pra ser picareta nesse trabalho. Eu, pelo menos, não consigo. Nem pretendo. Tenho que achar uma coisa de verdade para dizer, nesse cenário que para mim ainda é de mentira. Ou então fazer o cenário me dizer algo de verdadeiro. É possível, em um mês?
Entendo melhor a Sofia Coppola agora. Essa é uma saída, usar o exterior muito estranho, exagerar nas suas cores e estereótipos e olhar pra dentro. (Bom, se tivesse uma Scarlett Johansson aqui no meu flat as coisas ficariam mais fáceis. Mas vou lá na esteira todo dia de manhã e nada).
Eu já tenho uma idéia para ambientar a história. Quero fazer uma Xangai que seja a mistura do fim do século XIX com essa do século XXI, uma coisa meio futurista, entre Brazil, o filme, e os quadrinhos do Moebius. Riquixás voadores e o escambau. Mas aí seria meio ficção científica. Pode ser. Talvez o meu erro seja procurar a história numa chave realista. Quem sabe partir para a farsa, para um negócio mais O guia – amoroso -- do mochileiro das galáxias? Acho que tem que ser uma coisa tão absurda como o skyline do Pudong -- que vocês não devem saber o que é porque ainda não consegui fazer com que as fotos da minha câmera vão parar dentro do blog. Ainda há muito o que fazer aqui na China. A ressaca passou. Vou ali fora atrás de um enredo e já volto.

1 Comments:

Blogger Caroline said...

Vc já experimentou olhar dentro do bolso de um chinês? qualquer chinês guarda a China no bolso..um papel de bala..um palito de fósforo (existem palitos de fósforo na China?) e traquitanas em geral...um bocado do mundo se revela num bolso..pq é a parte do mundo que queremos levar coagente..quem sabe seu romance não está lá?..não custa nada dar uma olhadinha..

June 29, 2007 at 6:55 AM  

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